Educação

Projeto da UFCG melhora a qualidade de vida de pacientes oncológicos em Patos

Terapia a laser realizada no Hospital do Bem previne e cicatriza lesões orais decorrentes do tratamento de câncer

Segundo dados da Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, cerca de 40% dos pacientes submetidos a tratamentos contra o câncer (quimioterapia e radioterapia) apresentam efeitos colaterais na boca, como aftas e inflamações da mucosa oral. Pensando em melhorar a qualidade de vida dessas pessoas, um projeto de extensão da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) utiliza a laserterapia na prevenção e tratamento de doenças orais junto a pacientes oncológicos do Hospital do Bem, localizado no município de Patos.

Desenvolvido por alunos e professores da Clínica Escola de Odontologia da UFCG, campus Patos, desde o mês de agosto, o projeto “Luz é Vida, Saúde e Bem-Estar” consiste no acompanhamento semanal de pacientes em tratamento quimioterápico do Hospital do Bem, durante a realização de ciclos da quimioterapia. Além de atendimentos com o uso do laser, são realizados exames clínicos, orientações de higiene e prescrição de medicamentos para pacientes acamados.

De acordo com o coordenador do projeto, professor João Nilton Sousa, quando a terapia é realizada com laser, por meio da fotobiomodulação tecidual, o paciente não precisa tomar mais um medicamento dentre tantos que já faz uso em decorrência do tratamento oncológico, uma vez que a laserterapia promove o reparo, a cicatrização e a analgesia das lesões.

“O tratamento quimioterápico possui, além de efeitos colaterais sistêmicos, efeitos que acometem a cavidade oral, que, muitas vezes, afetam a qualidade de vida e dificultam o progresso do tratamento antineoplásico. Dessa forma, nós coletamos informações acerca de possíveis sintomas orais que o paciente possa apresentar, para, então, orientá-lo com relação ao uso do laser e, se necessário, já fazer a sessão de laserterapia.

Além disso, realizamos o levantamento dos quimioterápicos utilizados pelos pacientes e traçamos possíveis correlações com os sintomas orais que eles possam vir a desenvolver”, explica o professor.

Na prevenção, a laserterapia é aplicada até cinco vezes na semana, com tempo de exposição de 20 segundos por ponto e duração média de 10 a 15 minutos por paciente. Já no tratamento, o tempo de aplicação é de 30 a 40 segundos por ponto, em até cinco sessões por semana. Os protocolos de aplicação variam de acordo com o estado do paciente, sinais e sintomas apresentados, além da extensão e localização das lesões. Dentre os problemas mais comuns apresentados estão a mucosite oral (inflamação e ulceração da mucosa bucal), a xerostomia associada à hipossalivação (boca seca), o trismo (dificuldade para abrir a boca) e a candidíase oral.

“O laser diodo de baixa intensidade possui diversos efeitos terapêuticos, que incluem a analgesia (alívio da dor), a modulação do processo inflamatório e o aumento do reparo tecidual, facilitando e otimizando o processo de cicatrização. Assim, tendo em vista a necessidade de amparo odontológico dos pacientes quanto às complicações do tratamento oncológico e as propriedades terapêuticas do laser, decidimos juntar as forças para a melhora da qualidade de vida dessa população”, resume o professor.

(Ascom UFCG)